Experiências sociais negativas e emoções de adolescentes brasileiros: uma análise histórico-cultural a partir de cartas
DOI:
https://doi.org/10.64966/rl.1587Palavras-chave:
Adolescentes, emoções, Autorregulação emocional, VivênciasResumo
O presente estudo teve como objetivo compreender os processos de vivência, enfrentamento, autorregulação e elaboração emocional de adolescentes diante de experiências negativas, analisando-os à luz da perspectiva histórico-cultural. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, realizada com 75 adolescentes de 14 a 17 anos, estudantes do 9º ano de uma escola pública estadual localizada na periferia urbana de Curitiba (PR). A produção dos dados ocorreu por meio de cartas anônimas, nas quais os adolescentes relataram experiências sociais consideradas negativas e suas vivências emocionais associadas. A análise foi conduzida com base no método dos Núcleos de Significação, conforme proposto por Aguiar e Ozella, possibilitando a construção de dois núcleos analíticos: (1) vivências emocionais negativas nas relações familiares, escolares e sociais; e (2) modos heterogêneos de enfrentamento e regulação das emoções. Os resultados evidenciam que as emoções expressas pelos adolescentes estão intrinsecamente relacionadas às condições sociais concretas de vida, marcadas por desigualdades, conflitos e sofrimento social, revelando estratégias de enfrentamento tanto limitadas quanto potencialmente desenvolventes. Conclui-se que a compreensão das emoções adolescentes exige uma análise que considere as mediações sociais e históricas que constituem o desenvolvimento psicológico, apontando para a necessidade de ações educativas e coletivas que promovam processos de autorregulação emocional mediados socialmente.
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